DE IDEIAS, CITAÇÕES E TRADUÇÕES COPIADAS

Plágio - História e Cinema (1)

Acabo de ler “O triunfo do Reich de mil anos: cinema e propaganda política na Alemanha nazista (1933-1945)”, de Wagner Pinheiro Pereira, capítulo do livro História e cinema (São Paulo: Alameda, 2007), organizado por Maria Helena Capelato (orientadora de Pereira), Eduardo Morettin, Marcos Napolitano e Elias Thomé Saliba.

Constatei que Wagner Pinheiro Pereira resumiu no seu texto alguns capítulos de minha tese Imaginários de destruição: o papel da imagem na preparação do Holocausto (USP, 1994).

Nesse resumo, ele utiliza algumas citações que traduzi de livros em alemão e francês, que ele parece não ter lido, pois reproduz os trechos que cito com as minhas traduções dessas citações, sem referir-se uma única vez ao meu trabalho em seu texto, nem sequer para disfarçar as cópias.

Alguns exemplos:

O trecho do discurso de Goebbels de 1937 às páginas 258-259 do livro é o trecho ipsis litteris que pincei do discurso de Goebbels, às páginas 26-27 de minha tese. Coincidência? Não, pois a tradução do trecho é de minha autoria.

 Cópia 1

 Cópia 1-A

A citação de Goebbels apud Cadars & Courtade às páginas 260-261 do livro é a mesma citação de Goebbels apud Cadars & Courtade, à página 238 de minha tese. Coincidência? Não, pois a tradução da citação é de minha autoria.

 Cópia 2

Cópia 2-A

A citação de Courtade e Cadars à página 265 do livro é a mesma citação de Courtade e Cadars, ipsis litteris, que trago à página 469 de minha tese. Coincidência? Não, pois a tradução da citação é de minha autoria.

 PLÁGIO 3

Há outras frases minhas copiadas e/ou parafraseadas por Wagner Pinheiro Pereira em seu capítulo do livro História e cinema, organizado por Capelato, Morettin, Napolitano e Salibamas. Mas paro por aqui, porque a pesquisa dessas “coincidências” é por demais fatigante e deprimente.

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2 comentários sobre “DE IDEIAS, CITAÇÕES E TRADUÇÕES COPIADAS

  1. Absurdo constatar que um trabalho acadêmico-científico precisa de plágios para se sustentar. Aonde está a ética no nosso métier? Aonde está o conhecimento fruto do esforço intelectual individual? Quantos e quantos trabalhos de autores que não têm a notoriedade do Prof. Luiz Nazario foram copiados e publicados? Será preciso “ensinar” ética fora dos cursos de Filosofia, ou a ética é um valor social universal que não precisa ser “ensinado”? Uma pena.

    • Cara Suzana, creio que esses abusos ocorrem, cada vez mais, pela falta de ética que se generaliza na sociedade informatizada, pela facilidade da cópia sem punição, pela ignorância dos orientadores sobre o que já foi publicado acerca do tema dos trabalhos que se propõem a orientar e pela decadência geral das universidades, submetidas às “políticas públicas” que, ao privilegiar a quantidade em detrimento da qualidade, alegando perseguir um projeto social de universalização do ensino, opera apenas sua massificação.

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